CONSUMIDO E CONSUMADO
Coluna: SEGUIMENTOS - por: Antonio Trotta - Jornalista, Escritor e Poeta - 18 de dezembro de 2024

Consumido e consumado
Na poesia, uma alma de poeta se revela, se consome.
Toda palavra tem a sua poesia, assim como toda poesia tem a sua palavra. Dentro de cada contexto um texto se forma e um conteúdo se expressa. São as letras criando corpo, tomando espaço, preenchendo papéis, imaginação e pensamentos. Pelas veias talentosas formam-se fileiras de palavras que dão ritmo e sonoridade às frases e aos sentimentos. Nasce o poeta.
Ao acender a chama da inspiração, o poeta é consumido pela poesia, da mesma maneira que a poesia é consumada pelo seu criador. Cada verso, cada rima desenham um mosaico de idéias. São conjugações amorosas ou sofridas que percorrem o tempo, ultrapassam espaços e ganham dimensão sublime na alma. Nasce a poesia.
Na leitura, vêem-se criaturas, lêem-se aventuras e relembram-se saudades. Do texto, viaja-se para o futuro, pinta-se um muro, varre-se e enfeita-se um coração. Em cada verso há um pouco de cada um, de todos nós. Derramam-se em letrinhas enxurradas de sentimentos e pensamentos marcantes. A poesia se torna uma poça de emoções. Nasce a lágrima.
Não existe tempo para ser poeta. Existem, apenas, a poesia que foi escrita e aquela que ainda não. Todos os elementos conspiram a favor. O vento do sul sopra em ritmo de brisa; o vento do norte sopra mais forte, expressando tempestade. Não há idade para o poeta. Os astros são infinitos e merecem ser escritos em formas de versos. Nasce a lua.
Na poesia, o detalhe pode ser o destaque e o todo pode virar detalhe. Não existe um olhar, mas olhos para descrever o que vêem e expressar o que sentem. Não é o objeto ou a realidade que se modificam, mas o poeta que modifica o objeto ou a realidade pela sua maneira de viver e sentir o momento para produzir a poesia. Nasce a inspiração.
Bastam a pronúncia, o gesto, a expressão, o olhar, o sorriso e tudo se transforma em poesia. Nada escapa ao verbo e aos adjetivos aplicados pelo poeta. Lamentos, sofrimentos, prazeres e declamações nascem ou ressuscitam na palma da poesia, entre os dedos do poeta, depois de circular pela alma e o coração. Nasce a musa.
Na poesia, a alma do poeta se revela e se consome. No poeta, revela-se e consome-se a alma da poesia.
Antonio Trotta – Jornalista
“ Na poesia, a alma do poeta se revela e se consome. No poeta, revela-se e consome-se a alma da poesia.“.. que coisa mais linda…um ciclo de criação e autodescoberta, onde ambos se revelam e se esgotam mutuamente.
A cada leitura fico mais encantada
Grato. Suas palavras revelam percepções profundas entre poetas e poesias.