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Pesquisas da Epamig contribuem para a produção sustentável de tilápia

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Com uma produção que já supera 600 mil toneladas anuais e movimenta cerca de R$ 7 bilhões no Brasil, a tilapicultura ocupa posição estratégica na aquicultura nacional. Além de gerar empregos e renda, a atividade amplia o acesso da população a uma proteína de alto valor nutricional e custo acessível, segundo dados da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR). Diante dessa relevância, a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) reforça a necessidade de avançar em pesquisas que garantam a sustentabilidade ambiental da produção.

O tema ganhou destaque nos últimos meses após a inclusão da tilápia na Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras, elaborada pela Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio). O documento, que tem como finalidade subsidiar políticas públicas e orientar ações de prevenção e controle ambiental, teve sua tramitação temporariamente suspensa para novas análises, após manifestações de órgãos ambientais e de representantes do setor produtivo.

Para o pesquisador da Epamig, Franklin Costa, é fundamental esclarecer o enquadramento da espécie. “A tilápia não é uma espécie invasora, mas uma espécie introduzida no Brasil. Os impactos da interação desse peixe em ambientes lacustres brasileiros ainda são pouco estudados. Ainda assim, é necessário atenção a possíveis efeitos ambientais, como o escape de indivíduos com capacidade reprodutiva para o meio natural”, explica.

Nesse contexto, o Programa de Pesquisa em Aquicultura da Epamig estrutura diferentes frentes de investigação com foco na redução de riscos ambientais e no fortalecimento da atividade produtiva. Uma das principais linhas de atuação está relacionada ao controle reprodutivo, por meio do desenvolvimento, da otimização e da aplicação de tecnologias ambientalmente seguras voltadas à masculinização e à inibição da reprodução.

“Há décadas, a masculinização hormonal é utilizada para a obtenção de lotes majoritariamente masculinos, estratégia essencial para evitar a reprodução nos tanques de engorda e melhorar o desempenho produtivo”, ressalta Franklin Costa. No entanto, os métodos convencionais ainda apresentam uma margem de erro de cerca de 5% de fêmeas com capacidade reprodutiva.

Para superar essa limitação, a Epamig desenvolve, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), estratégias voltadas à obtenção de lotes 100% masculinos. Paralelamente, são conduzidas pesquisas para a produção de tilápias estéreis e para a obtenção de machos por meio de manipulação cromossômica.

Outra frente estratégica envolve os sistemas de produção. A instituição concentra esforços no aprimoramento de sistemas intensivos de recirculação de água (RAS) e de bioflocos (BFT), modelos que favorecem o crescimento da tilápia, operam de forma desconectada dos ambientes naturais e reduzem significativamente o risco de escape.

O melhoramento genético também integra as pesquisas desenvolvidas pela Epamig. O objetivo é obter animais com maior desempenho produtivo e menor capacidade de sobrevivência fora do ambiente de cultivo. “O peixe é melhorado para a produção em cativeiro e, caso escape, terá chances mínimas de sobrevivência quando comparado aos peixes de vida livre”, enfatiza o pesquisador.

Franklin Costa destaca ainda que a produção brasileira ocorre majoritariamente em viveiros escavados e tanques-rede. Segundo ele, o foco das pesquisas não é substituir esses sistemas, mas incorporar modelos mais controlados em fases críticas do cultivo e reduzir o tempo do ciclo produtivo realizado em ambientes naturais.

Os resultados e as tecnologias desenvolvidas pela Epamig são amplamente disseminados por meio de dias de campo, acompanhamento técnico, capacitações e materiais de apoio, contribuindo para uma produção de tilápia cada vez mais eficiente, segura e ambientalmente responsável.

Com informações da Agência Minas

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