Política

Eleições 2026 em Minas: partidos testam nomes e alianças para a sucessão estadual

Disputa terá campo fragmentado e múltiplos candidatos em 2026

Ouça essa matéria  

A sucessão de Romeu Zema em Minas Gerais, visando as eleições de 2026, começa desde já a desenhar um cenário fragmentado e repleto de incertezas. O atual governador chega ao fim do segundo mandato sem direito à reeleição, deixando em aberto um espaço que desperta interesse tanto de novos atores quanto de figuras tradicionais da política mineira.

No grupo governista, o vice-governador Mateus Simões (Novo) aparece como candidato natural à continuidade do projeto administrativo. Apesar da visibilidade que o cargo lhe confere, enfrenta o desafio de se viabilizar sem o mesmo apelo eleitoral de Zema e de sustentar competitividade em um partido com estrutura limitada no interior do estado.

Do lado do governo federal, naturalmente o PT deveria liderar a chapa em Minas, mas o histórico recente do partido no estado, marcado pelo governo de Fernando Pimentel — que deixou salários de servidores em atraso, falta de investimentos em infraestrutura e diversos outros problemas — limita o protagonismo do partido localmente. Nesse contexto, Marília Campos, prefeita de Contagem, surge mesmo com toda a rejeição à legenda, como possível candidata do PT, embora ainda dependa das decisões partidárias e suas diversas correntes internas.

O PSD em Minas concentra-se no senador Rodrigo Pacheco, apontado por pesquisas recentes como um nome competitivo e que poderia receber apoio do grupo do ministro Alexandre Silveira, que busca fortalecer sua presença no estado por meio de alianças com prefeitos e lideranças regionais, incluindo eventual aproximação com o PT estadual.

O ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD) está atualmente inelegível por decisão da Justiça em segunda instância, devido a condenação por improbidade administrativa. A inelegibilidade impede sua candidatura direta, mas permite que Kalil atue nos bastidores, influenciando apoios e articulações políticas dentro do partido.

No campo da nova direita, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) surge com destaque em pesquisas de intenção de voto, embora ainda dependa de articulações partidárias e de sua própria decisão em querer se candidatar ou não, para consolidar seu nome na disputa.  O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) adota um discurso populista de fácil comunicação com o eleitor, mas não apresenta até o momento um projeto claro para governar o estado ou articulação para consolidar uma campanha no estado.

A volta 

A disputa mineira também envolve velhos conhecidos da política estadual. O ex-governador Aécio Neves (PSDB), apesar do enfraquecimento dos tucanos em Minas, segue como figura influente nos bastidores e não pode ser ignorado nas articulações.

Outro nome que circula é o do deputado federal Newton Cardoso Júnior, líder do MDB, partido que historicamente tem peso em Minas, mas que hoje enfrenta dificuldades em consolidar liderança única diante de divisões internas. O posicionamento do MDB mineiro, aliás, é uma incógnita e pode ser determinante para eventuais alianças, dada sua capilaridade regional e seu papel em coligações proporcionais.

Um grupo que certamente estará nas articulações será do ex-prefeito de Uberlândia, Odelmo Leão (PP) que pode surgir forte como opção para compor uma chapa como vice-governardor e puxar votos no triângulo e sul de Minas.

Pesquisa

Uma recente pesquisa do AtlasIntel, divulgada no fim de agosto, mostra que a corrida pelo governo de Minas Gerais em 2026 deve ser apertada entre o senador Rodrigo Pacheco (PSD) e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL). O levantamento foi realizado entre os dias 20 e 25 de agosto com 2.035 eleitores mineiros, via internet, utilizando Recrutamento Digital Aleatório. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

Segundo os números, Pacheco aparece com 32,8% das intenções de voto, enquanto Nikolas Ferreira registra 30,1%. Na sequência, surgem Cleitinho (Republicanos) com 14,1%, Alexandre Kalil com 8,3%, Mateus Simões (Novo) com 5,3% e Aécio Neves (PSDB) com 3,5%.

O levantamento também revela que a gestão do governador Romeu Zema (Novo) enfrenta avaliação negativa de mais da metade da população: 54% desaprovam o governo, contra 39% que aprovam, enquanto 7% não souberam opinar. Em uma análise mais detalhada, 43,7% classificam a administração como “ruim” ou “péssima”.

Indecisão

O que se percebe até aqui é um quadro pulverizado: de um lado, a tentativa de continuidade do grupo de Zema; de outro, a movimentação do governo federal via PSD e PT; ao mesmo tempo, o fortalecimento de figuras da nova direita que se apoiam nas redes sociais; e, ainda, a resistência de nomes tradicionais que buscam manter espaço na cena estadual. Em meio a esses movimentos, a eleição mineira de 2026 tende a reproduzir a tradição do estado de equilibrar diferentes forças políticas e se afirmar como um dos palcos mais disputados do país.

Por: Sérgio Monteiro – (Jornalista – Radialista – Comunicador) 

Foto: montagem redes sociais 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo