CruzíliaDestaque

Azeite produzido na Serra da Mantiqueira mineira é eleito o melhor da América do Sul em renomado concurso internacional

Marca produzida entre Cruzília e Aiuruoca, tem reconhecimento global em sua primeira safra comercial e reforça potencial da olivicultura mineira

O azeite extravirgem Carcará Blend, produzido na Serra da Mantiqueira, no Sul de Minas Gerais, acaba de colocar a olivicultura mineira em evidência no cenário internacional.

Em junho deste ano, a primeira safra comercial do produto recebeu na prestigiada EVO IOOC 2026, na Itália, o troféu Special Award Raùl C. Castellani – Best of South America, reconhecimento concedido ao melhor azeite extra virgem sul-americano, entre monovarietais, blends e orgânicos. No mesmo concurso, o Azeite Carcará também obteve a medalha de ouro e esteve entre os cinco finalistas da categoria de melhor Blend do Hemisfério Sul.

A EVO IOOC é o maior concurso italiano de azeites, sendo uma das competições mais respeitadas no mundo, com nota máxima de 10 pontos no EVOO Word Ranking. Na edição de 2026, participaram 786 amostras de azeite, de 32 países, com a avaliação de  32 jurados de diferentes nacionalidades, que realizaram  degustação às cegas. Nesta competição o Brasil enviou 139 amostras de azeite, tendo recebido 98 medalhas de ouro e 29 de prata. Pelas regras do concurso, aqueles que alcançaram nota entre 65 e 84 pontos, receberam medalha de prata e acima de 85 pontos conquistaram a medalha de ouro. Entre os azeites que receberam medalha de ouro, aqueles com nota mais alta avançaram para a fase final, na qual o Carcará foi escolhido como o Melhor Azeite da América do Sul.

Ouro também na Turquia

Pouco tempo antes, em abril deste ano, antes mesmo de ir para a prateleira, o azeite já havia conquistado medalha de ouro no Anatolian International Olive Oil Competition, na Turquia, competição que reuniu 521 azeites de mais de 25 países em degustação às cegas. O blend premiado em ambas competições reúne as quatro variedades de azeitonas cultivadas nos olivais da propriedade: Arbequina, Arbosana, Koroneiki e Grappolo.

“As premiações, assim como a grande aceitação por parte do público que tem consumido nosso azeite, confirmam o potencial da Serra da Mantiqueira para a produção de azeites de excelência e reforçam o crescimento da olivicultura mineira, que vem conquistando espaço entre os principais produtores do mundo”, conclui Thaís Junqueira Maciel Campomizzi, produtora rural e sócia-proprietária da marca.

Produção artesanal

Produzido na Fazenda Cruzziléia, os olivais do azeite Carcará estão localizados na divisa dos  municípios de Cruzília e Aiuruoca, a cerca de 1.200 metros de altitude. Na propriedade,  a assistência técnica especializada e o manejo dos olivais são de responsabilidade do engenheiro agrônomo Hiran Villas Boas. Ele explica como as condições registradas na Serra da Mantiqueira favoreceram a safra de 2026.

“Em relação ao clima na região, é bastante favorável o fato de se alcançar o acúmulo das horas de frio necessárias para que as plantas consigam finalizar seu ciclo de produção. Além desse fator, o solo tem presença de cascalho junto a terra, o que garante boa drenagem, fator crucial para o bom desenvolvimento das raízes”, detalha.

Tal ambientação fez com que algumas oliveiras chegassem a produzir cerca de 40 quilos de frutos, desempenho acima da média para uma cultura introduzida recentemente no Brasil, onde, em geral, cada árvore produz aproximadamente 10 quilos de azeitonas. Vale destacar ainda, que são necessários cerca de 10 quilos de frutos para obtenção de cada litro de azeite.

Manejo tradicional

Entre os diferenciais da produção do Azeite Carcará está o manejo dos olivais. “Nossas práticas culturais são tradicionais, porém conduzidas de formas diferentes, sempre com respeito à natureza e harmonia com as plantas”, garante o engenheiro agrônomo responsável. É ele quem, após a delicada colheita, acompanha o transporte das azeitonas da fazenda até o lagar Olivas MG, em Aiuruoca, onde o azeite é extraído. “A extração acontece no mesmo dia da colheita,o que garante a preservação do frescor e as características sensoriais do azeite”, explica.

O cuidado continua após a extração. Cada garrafa é rotulada manualmente pela família dos proprietários, reforçando o caráter artesanal da produção.

Perfil sensorial

Segundo análise sensorial especializada, o blend apresenta aroma herbáceo de alta complexidade, com notas de amêndoa verde, abacate verde e folha de tomate, além de amargor e picância equilibrados, características valorizadas em azeites extravirgens de alta qualidade. O produto se harmoniza especialmente com carnes grelhadas, legumes assados, molhos intensos e queijos frescos.

O início que constrói a história

O primeiro pomar foi plantado em 2017 e ampliado ao longo dos anos, de forma despretensiosa como parte de um projeto familiar. Os proprietários foram motivados pela convicção de que cada área da fazenda deveria ser aproveitada de acordo com sua vocação agrícola. O interesse pelo  azeite de oliva teve início durante o período em que Thaís e o marido viveram na Andaluzia, na Espanha. “De volta ao Brasil, identificamos que o solo drenado e o clima da Serra da Mantiqueira apresentavam características favoráveis ao cultivo das oliveiras, onde iniciamos um projeto paciente que hoje nos alegra tanto com o alcance e reconhecimento internacional”, diz a produtora rural.

As mudas vieram de Maria da Fé, município mineiro referência nacional em pesquisas sobre olivicultura, onde a EPAMIG desenvolve estudos sobre a cultura desde a década de 1970. Atualmente os olivais somam aproximadamente 1.500 oliveiras. Na primeira colheita experimental, realizada em 2024, foram produzidos apenas 20 litros de azeite. Dois anos depois, cerca de 500 árvores entraram em produção, resultando em aproximadamente 900 litros de azeite extravirgem, rendimento considerado expressivo para uma cultura ainda jovem na região.

“Consideramos os resultados ainda mais expressivos por este ano marcar nossa primeira safra comercial de um trabalho de fato artesanal em uma colheita muito bem sincronizada com a produção que levou mais de 30 dias”, afirma Thaís.

Premiações:

Medalha de Ouro – Anatolian International Olive Oil Competition 2026 (Turquia);

Medalha de Ouro – EVO IOOC 2026 (Itália);

Melhor azeite da América do Sul entre monovarietais, blends e orgânicos – Special Award Raùl C. Castellani – Best of South America – EVO IOOC 2026 (Itália);

Finalista na categoria Melhor Blend do Hemisfério Sul – EVO IOOC 2026 (Itália).

Fonte e informações: Mariana Celle – Assessoria de Comunicação

Fotos: Ricardo Melo e Jorge Bolla Vignes

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo