
É confortável a ideia de que somos nossos maiores aliados, empenhados em obter aquilo que, a cada momento e em cada campo elegemos como meta. Afetos, arranjos de vida, trabalhos e tudo o mais.
Sabemos o que queremos ganhar e lutamos para conseguir. Simples!
Porém, o ser humano em sua complexidade é mestre em surpreender e, por vezes, o destino que se dá a aquilo que se obtém, de fato, surpreende! Toda uma luta desperdiçada, uma conquista jogada fora, um atributo deletado… De nossos maiores aliados, passamos a nossos maiores antagonistas.
Vemos pessoas descartarem repetidamente aquilo que dizem mais desejar, impondo a si mesmas perdas cujas justificativas não aliviam o sofrimento que provocam. Pessoas desconstruindo tristemente ganhos pelos quais lutaram, em que investiram, e que – no momento ou na vida – elegeram como meta.
Perdas, a vida já nos impõe, e não são poucas. Mas, não é disso que se trata. Falo das perdas evitáveis, daquelas imperceptivelmente construídas por razões que estão fora de nossa consciência. Daquelas perdas onde algo não percebido deve ser ganho, já que se repete.
Má sorte, destino, perseguições, escolhas divinas ou trapaças satânicas; quem sabe, meras coincidências … Explicações que, embora condescendentes, pouco confortam e em nada compensam. Cada um é agente de seus ganhos, mas, também, de suas perdas. Porém, somos movidos pelo que reconhecemos, mas também por forças cujos propósitos nos recusamos a ver, fazendo com que ganhar e perder se confundam.
É preferível desconfiar do mal que se repete, da conquista sempre desperdiçada, do destino cruel, e buscar, corajosamente, o ganho oculto que sustenta esse padrão tão sofrido de nadar, nadar, e suicidar na praia.
Dr. Eder Schmidt é médico, psiquiatra e psicanalista.
@drederschmidtpsiq
![]()



