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POR UM JORNALISMO INVESTIGATIVO COM APOIO DAS TECNOLOGIAS

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Assisto agora no 676 HBO Signature HD, da NET, ao documentário-filme Nixon By Nixon: in his own words. É sobre a administração Richard Nixon, mas, substancialmente, sobre a Guerra do Vietnã e as peripécias e as mentiras por ele pregadas para alongar a retirada das tropas norte-americanas da Indochina.

No recheio, o papel indispensável e fundamental da imprensa, e o árduo trabalho de garimpagem e de apuração concentrada e acendrada de repórteres e editores em busca da verdade, no seio de uma sociedade saturada de guerras e malabarismos, com muitos jovens mortos ou inválidos. Centenas de documentos do Pentágono publicados no New York Times e a ação devastadora do The Washington Post que seguiu uma linha de investigação penosa, exaustiva e precisa, até levar o mais alto mandatário da maior democracia mundial à renúncia.

O resgate do noticiário de jornais impressos, revistas e, principalmente, dos canais de televisão contidos no documentário, mostra um jornalismo vivo, político, envolvido com a comunidade e na busca crítica da veracidade. Os relatos do portentoso e sólido Walter Cronkite são pesarosos e cheios de presságios e de alertas. Um panorama que, com menor inflexão, ainda persiste nos dias atuais na mídia norte-americana, e que me leva a uma reflexão.

Uma reflexão que faz parte do imaginário de poucos jornalistas que, na atualidade, tentam discutir pelo menos formas de não deixar morrer ou confundirem o verdadeiro jornalismo com entretenimento, com piadas das redes sociais e que tais. Fico imaginando as razões pelas quais o jornalismo brasileiro anda tão parco, porco e comprometido, ante uma realidade falsa e nauseante da política, da economia e das relações sociais do país.

O noticiário de televisão não passa de um espetáculo colorido,em que a imagem predomina e o senso crítico fica embaixo da mesa, talvez por conta das cifras do balcão. Algumas reportagens dão a impressão de retratarem aspectos de políticas públicas, mas são realçados mais os aspectos fantásticos e espetaculares. É um pastiche. E as notícias perecem no mesmo instante que são levantadas.
Temos um jornalismo raquítico, acrítico, e sem poder de ação e interferência em favor da sociedade, a não ser nos episódios que interessam aos donos dos canais e dos jornais. Só de escrever isto já representa uma ameaça aos que nadam de braçada contra essa maré suja, poluída. Mas há quem pensa e age diferente. É preciso mais compromisso com a comunidade, representá-la efetivamente, evidenciar as mazelas, trazer à luz.

E não são os avanços tecnológicos que empanam essas ações ou que incentivam um jornalismo efêmero. Ao contrário! A tecnologia posta é relevante para o trabalho de investigação jornalística, para sua agilização.

Que diga aí o jornalista e professor Juliano Sanches.  Buscamos montar um núcleo de profissionais que avance no uso de ferramentas que possibilitem esse trabalho, e que ou são mal e raramente utilizadas, ou têm uso nulo no Brasil, em especial no interior. No atual estágio das condições gerais do país, talvez vender conteúdos críticos e mais pesados, melhor apurados, solidamente embasados, e com análises e emissão de juízos de valor, possa representar retorno financeiro – por meio da separação do que é efetivamente jornalismo e aquilo que é pura perfumaria -, e retomar o equilíbrio e alguma saúde econômica, envolvendo-se a sociedade-assinante, e com isso podendo-se dispensar a subvenção do dinheiro público – o que, ao meu ver, se não constitui crime, pelo menos é uma imoralidade!

Luiz Roberto Saviani Rey – jornalista e professor de jornalismo na PUC Campinas SP

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