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COLUNA HISTÓRIA DE FATO –

PAULO-PARANHOS

A vida é um “saco de espantos”

Faleceu no dia 5 de janeiro o escritor Carlos Heitor Cony, nascido em 14 de março de 1926 na cidade do Rio de Janeiro. Cony é autor de 17 romances, tendo sido premiado pela Academia Brasileira de Letras antes mesmo de pertencer ao seleto grupo de imortais da Casa de Machado de Assis. Também amealhou para o seu extenso currículo várias outras premiações importantes, como o Prêmio Jabuti, com o qual foi contemplado três vezes. Essa premiação, de âmbito nacional, começou no ano de 1958 e foi idealizada por Edgar Cavalheiro e Mário da Silva Brito, da Câmara Brasileira de Livros, tendo sido escolhida a figura de um jabuti para figurar na estatueta, criação do escultor Bernardo Cid de Souza Pinto. Jorge Amado foi o primeiro literato a receber tão grande distinção, com sua obra “Gabriela, Cravo e Canela”. Carlos Heitor Cony recebeu a láurea por “Quase memória”; “A casa do poeta trágico” e “Romance sem palavras”.
Jornalista de formação, iniciando no “Jornal do Brasil”, Cony teve uma brilhante trajetória no cenário nacional, cobrindo como poucos a formação de Brasília, tendo escrito três obras significativas sobre o governo Juscelino Kubitschek. Até o seu falecimento assinava uma crônica na “Folha de S. Paulo”, ainda com a lucidez que sempre caracterizou os seus escritos.

Apresentação1
Cony, além das obras que o tornaram referência entre os literatos nacionais, escreveu coletâneas de crônicas, volumes de contos, ensaios biográficos, obras infanto-juvenis, adaptações e criou novelas para a TV, sendo “Marina” uma adaptação de sua obra denominada “Marina, Marina”. Também exerceu suas atividades na rádio, principalmente na CBN.
Carlos Heytor Cony foi eleito para a Academia Brasileira de Letras no ano de 2000, para a cadeira no 3, cujo patrono é Artur de Oliveira, sucedendo o jornalista baiano Herberto de Azevedo Salles. Em seu discurso de posse fez interessantes comentários: “Não sendo completamente boa nem má, a vida continua a me provocar espanto. Aqui estou eu, na tribuna mais ilustre do País, com minha péssima oratória, tomando posse na Cadeira no 3, cujo patrono, Artur de Oliveira, foi definido pelo próprio Machado de Assis como ‘um saco de espantos’. Cento e três anos depois, eu me pergunto o que seria ‘um saco de espantos’ para um homem como Machado, que de nada e de ninguém se espantava. Temos assim o ‘saco de espantos’ a patrocinar esta espantosa Cadeira, na qual, com o espanto, dela, cadeira, e o meu próprio espanto, passará agora a ser ocupada por mim.
Espantoso também seria o seu primeiro titular, Filinto de Almeida”.
O atual presidente da Academia Brasileira de Letras, Marco Lucchesi, comentou: “Perdemos um nome certo para o Nobel. Carlos Heitor Cony integra a família dos grandes escritores do século XX. Criou um continente literário fascinante, sagaz, imprevisível. Homem de vasta cultura, jamais se desligou do presente, do Brasil e do mundo. ‘Quase memória’ é um de seus livros mais visitados e redesenha a figura do pai na literatura brasileira”.
Dentre todas as homenagens que foram prestadas ao “imortal”, uma me chamou a atenção: num determinado programa foi-lhe perguntado sobre o que gostaria de ver escrito em sua lápide quando morresse, respondeu: “Meu epitáfio seria: ‘Aqui não jaz Carlos Heitor Cony, porque, realmente, aquele que for para debaixo da terra não vai ter nada comigo do que sou hoje e do que eu represento'”.

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